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Agricultora comemora transformação de vida depois que passou a plantar algodão agroecológico

Por Tadzio Estevam


Hozana Maria Feitosa faz parte das 46 famílias agricultoras atendidas pelo Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos no território do Sertão do Pajeú (PE), uma iniciativa coordenada pela Diaconia

Agricultora começou a plantar algodão agroecológico em fevereiro deste ano e já comemora a evolução do plantio. Fotos: Acervo Diaconia

Do Sertão do Pajeú/PE

Hozana Maria Feitosa, casada, mãe de três filhos e moradora do Sítio Lajedo, área rural de Afogados da Ingazeira (PE), não imaginava o quanto a vida dela iria mudar depois de decidir arregaçar as mangas e preparar o terreno para plantar uma cultura que já está mudando a perspectiva de vida de muitas famílias do Semiárido do Brasil. Ela aceitou o desafio de plantar algodão agroecológico cultivado com milho e feijão. A agricultora faz parte das 46 famílias atendidas pelo Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos no território do Sertão do Pajeú (PE), uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria com a Embrapa Algodão e Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão — Nossa Senhora da Glória) em sete territórios de seis estados do Nordeste. O projeto, que tem a duração de dois anos a contar de agosto de 2018, conta com o apoio técnico e financeiro do Instituto C&A.

A proposta de participar do projeto foi levada pela Diaconia ao grupo do qual a agricultora é coordenadora, o Flor do Mandacaru. Hozana e mais 33 mulheres se reúnem sistematicamente para discutir vários assuntos e participar de projetos, a exemplo do algodão. O grupo já comemora algumas conquistas como quatro casas projeto Moradia com Ecodignidade na comunidade — entregues em 2017 pela Diaconia em parceria com a Caixa Econômica Federal e a prefeitura local -, biodigestores, bioágua, galinheiros, criação de pequenos animais, entre outras. Tudo graças à organização, articulações com organizações não governamentais e poder público, fortalecimento da importância da organização das mulheres em todos os espaços de incidência política e da Justiça de Gênero.

Hozana cercada pelos pais e filhos

“O algodão está trazendo para a minha vida e da minha família transformação e esperança. Só em sair de dentro de casa, ir para reuniões, conhecer outras famílias, outras experiências e poder planejar o meu futuro e dos meus filhos, eu já fico feliz. Aqui, nesta área ainda pequena, sei que vou produzir bem e obter uma renda para eu poder fazer o que eu tenho vontade, não pedir mais dinheiro a marido, me divertir com meus filhos, comprar o que eu tiver vontade de comprar e ainda dividir as despesas da casa”, disse Hozana, emocionada.

O projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos tem como premissa, além da retomada do plantio do algodão agroecológico no Nordeste, fortalecer os seguintes Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPACs): Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (APASPI/PI); Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP/PE); Associação de Certificação Orgânica Participativa do Sertão do Apodi (ACOPASA/RN); Associação de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Araripe (ECOARARIPE/PE) e Associação Agroecológica de Certificação Participativa do Cariri Paraibano (ACEPAC/PB). Em Sergipe e Alagoas, as ONG’s estão trabalhando para a criação dos OPAC’s. Por enquanto, esses territórios estabelecerão relações com o OPAC da Serra da Capivara (PI). Esses organismos são habilitados a conferir o Selo Orgânico Brasileiro aos produtos consorciados, aproximando as famílias agricultoras ao comércio justo e mercado orgânico, além de garantir a segurança alimentar e nutricional delas.

Plantio do algodão consorciado com milho e feijão

O presidente da ASAP/PE, Claudevan José, classifica o projeto como um divisor de águas para as famílias agricultoras e, consequentemente, para a associação. “Já temos 50 agricultores e agricultoras plantando algodão. E o processo para certificar estava sendo muito dispendioso. Com a chegada do projeto estamos conseguindo vislumbrar inúmeras possibilidades de garantir uma produção certificada, pronta para o mercado consumidor. As famílias estão felizes por fazerem parte de uma organização onde a produção delas será mais fortalecida, com selo de qualidade de um produto agroecológico sustentável”.

Para a execução do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONG’s locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os OPAC’s e a produção agroecológica.

No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONG’s Caatinga e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas.