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Agricultoras e agricultores recebem formações sobre o protocolo do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos em parceria com a APASPI

Por Thamires Lima


Série de regras e práticas para a produção do algodão orgânico, e outros alimentos, foram apresentadas em três núcleos do projeto no território da Serra da Capivara – PI

A  produção do algodão e alimentos em consórcios com certificação orgânica participativa nas unidades familiares produtivas é orientada por  uma série de regras e práticas apresentadas no protocolo do projeto desenvolvido pela Diaconia, em parceria com os Organismos de Avaliação da Conforme Orgânica (OPACs) e assessoria técnica das ONGs. Seguindo as recomendações de cultivo nas Unidades de Aprendizagem e Pesquisa Participativa (UAPs), as agricultoras e agricultores passam a receber o selo de certificação orgânica participativa na produção e fazem a avaliação da conformidade orgânica. Nesse sentido, agricultores e agricultoras de três núcleos do projeto, no território da Serra da Capivara – PI, receberam formações do  passo a passo do protocolo.

O objetivo da apresentação foi avaliar o nível do primeiro ano de execução do protocolo e escutar as agricultoras e agricultores para realizar o aperfeiçoando do processo para o próximo ano e preparar o solo para a próxima estação chuvosa que se aproxima em novembro e dezembro.

“Os momentos serviram como diálogo do conhecimento que está no protocolo, feito a partir da sistematização da Diaconia, a fim de que as famílias agricultoras tenham produtividades maiores, prevenções do ponto de vista sanitário, e que o conhecimento esteja na mão de todos e todas agricultoras. O principal objetivo é que o conhecimento precisa ser aplicado para poder gerar apropriação e disseminação para novas famílias”, afirma Fábio Santiago, coordenador do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos. 

O conhecimento do protocolo do Projeto Algodão proporciona a junção da teoria, da técnica e com o conhecimento das famílias. Os resultados positivos vivenciados com a aplicação das recomendações como plantar nas primeiras chuvas, espaçamento mais largo, aplicação parcelada de biofertilizante, plantio em solo mais argiloso, fazer a diversidade de cultivos, entre outras, são práticas fundamentais para melhores rendimentos e maior geração de renda das famílias agricultoras.

Desde 2018, em parceria com a Cáritas Diocesana e com a Associação dos produtores e produtoras Agroecológicos do Semiárido Piauiense (APASPI), a produção agroecológica com certificação orgânica participativa do Projeto Algodão, no Piauí, está localizada em dez municípios no território da Serra da Capivara e conta com cinco núcleos, sendo eles: Paulistana – PI, Coronel Zé Dias – PI, São Raimundo Nonato – PI e Canto do Buriti – PI. Cada núcleo possui uma UAP que realiza as formações do protocolo de forma prática com assessoria técnica e serve como base da construção do conhecimento para experimentação e avaliações dos resultados das produções.

O sócio-fundador da APASPI e assessor técnico da Cáritas Diocesana, Jean Bastos, comenta que as formações são fundamentais para o processo de manejo dos consórcios e para melhoria das boas práticas de plantio dos sistemas produtivos. “O protocolo melhora nossa produção agroecológica, conservando nossos solos e garantindo que os agricultores e agricultoras possam ter condições de vender uma produção orgânica e certificada. Esperamos fortalecer ainda mais os agricultores e agricultoras, que os grupos possam crescer e possamos ajudar a melhorar a vida das famílias e nossa forma de conviver com o semiárido”, afirma.


A agricultora familiar Maria de Jesus, 57 anos, mora no município de Boa Vista, faz parte do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos e participou, pela primeira vez, da formação do protocolo. “Foi muito importante participar porque aprendi coisas que não tinha conhecimento como a lagarta rosada, as pintas brancas da folha e esses cuidados vão me ajudar bastante na produção”, conta.

As recomendações visam, também, contribuir para o desenvolvimento da cadeia do algodão dos outros produtos do policultivo que corresponde à ocupação de 50% para o cultivo do algodão e os outros 50% para o milho, feijão, gergelim e também de  adubadeiras que são plantas que fazem adubação verde e as sementes servem também para a  comercialização. “Quanto mais cadeias produtivas forem comercializadas pelos OPACs, maior vai ser a capacidade de geração de renda e autonomia para que os organismos tenham recursos para gerir suas próprias despesas operacionais no futuro”, afirma Fábio Santiago. O planejamento para o segundo ano é que o conhecimento do protocolo alcance o maior número de famílias agricultoras, criando uma versão para o audiovisual que, dessa forma,  permite o acesso à informação

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória/SE). O Projeto conta com o apoio financeiro da Laudes Foundation, da  Inter-American Foundation (IAF) e do FIDA/AKSAAM/UFV/IPPDS/FUNARBE. Para a execução do Projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONGs locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânico (OPACs) e a produção agroecológica. No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONGS CAATINGA e Chapada assumiram conjuntamente as ações do Projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), respectivamente. No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do Projeto.