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Após elaboração do protocolo do algodão, Projeto Algodão divulga série de vídeos sobre o pós-colheita dos alimentos dos consórcios agroecológicos

Por Acsa Macena


O objetivo é continuar oportunizando o conhecimento do conjunto de regras e boas práticas do algodão e das outras culturas alimentares presentes nos roçados das famílias agricultoras apoiadas pelo projeto, tais como o milho, gergelim, feijão, amendoim e girassol

Campo consorciado de algodão na Unidade de Aprendizagem e Pesquisa (UAP) em Livramento-PB

Um dos pilares do Projeto Algodão está situado no incentivo à gestão do conhecimento na agricultura familiar. Nesse sentido, a elaboração do protocolo de regras e boas práticas do algodão consorciado com certificação orgânica participativa, que traz orientações  desde o momento da preparação do solo até às medidas sanitárias após a colheita, realizado em parceria de Diaconia com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) – Organização das Nações Unidas (ONU), através do AKASAAM/IPPDS/UFV/FUNARBE, tem impulsionado a sistematização de outros protocolos dos alimentos dos consórcios, como o milho, feijão, amendoim e girassol.

Protocolo de regras e boas práticas do algodão em consórcios agroecológicos

Dessa forma, a disponibilização do passo a passo em vídeo sobre as regras e boas práticas para o pós-colheita dos outros alimentos do policultivo pode ser adotada como um modelo estratégico para divulgação do conhecimento, assim como foi realizado no protocolo do algodão com certificação orgânica participativa. Sobre esse assunto, o coordenador do AKSAAM professor Marcelo Braga, comenta que a iniciativa irá trazer benefícios para a sociedade em geral, assim como propiciar uma melhor renda para as famílias agricultoras.

“O projeto AKSAAM parabeniza a equipe do Diaconia pela disponibilização do material sobre os protocolos de pós-colheita de boas práticas do milho, amendoim, feijão, girassol e gergelim. Trata-se da disponibilização de um conjunto de inovações, desenvolvidas a partir de longa experiência de trabalho da equipe, que contribui para aumento da renda de famílias agricultoras. Os protocolos são fundamentais para a garantia dos padrões dos alimentos. Com isso, toda sociedade se beneficia do material produzido”, diz.

Coordenador do AKSAAM/IPPDS/UFV/FUNARBE, professor Marcelo Braga

Para o oficial de programas do FIDA no Brasil, Hardi Vieira, a sistematização do conhecimento é fundamental para potencializar a troca de experiências entre agricultoras/es e técnicas/os, assim como garantir a qualidade dos alimentos produzidos em bases agroecológicas [com certificação orgânica]. “A produção dos consórcios agroecológicos é diversificada e aumenta ainda mais a segurança alimentar, fazendo com que a produção seja saudável e com isso, faz com que esses produtos tenham benefícios não só para os agricultores e agricultoras, mas também para os próprios/as consumidores/as que terão acesso a uma diversidade de produtos orgânicos certificados [de forma participativa]. Nesse ponto, o trabalho que a Diaconia faz e vem cada vez mais consolidando é para nós uma grande referência e estamos muito felizes de poder disseminar isso por meio de produtos de gestão do conhecimento”, afirma.

Oficial de programas do FIDA no Brasil, Hardi Vieira

Porque avançar no pós-colheita dos demais alimentos dos consórcios – Na intenção de alargar o conhecimento sobre o processo de limpeza, secagem e armazenamento correto dos alimentos presentes nos consórcios agroecológicos, o Projeto Algodão, em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC) e a Associação de Certificação Orgânica Participativa de Agricultores e Agricultoras do Alto Sertão de Sergipe (ACOPASE) – Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC) – em processo de credenciamento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sistematizou uma série de vídeos sobre os protocolos de regras e boas práticas para o pós-colheita do feijão, milho, amendoim, girassol e gergelim. Isso servirá também de referência para os demais OPACs dos territórios de atuação do Projeto, como forma de articulação em rede na perspectiva de geração e disseminação do conhecimento.

A iniciativa busca qualificar os alimentos e acesso ao conhecimento técnico pelas famílias agricultoras, visto que o projeto caminha na estratégia de incentivar a comercialização justa dos alimentos com certificação orgânica participativa. “A sustentabilidade dos OPACs vem da ‘espinha dorsal’ da comercialização coletiva de mais alimentos a mercados com agregação de valor pela certificação orgânica. Isso impulsiona o funcionamento do tecido social dos OPACs nos territórios de atuação do Projeto, gerando um movimento inclusivo de famílias agricultoras numa perspectiva de escala de produção e paisagem. Assim, queremos apoiar a comercialização dos demais alimentos dos consórcios agroecológicos como óleo de gergelim, gergelim granulado, tahine, amendoim cru e torrado, pasta de amendoim, girassol, grão de milho e feijão ensacado, além de adubadeiras, hortaliças, forragem, entre outros”, afirma o coordenador do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos/Diaconia, Fábio Santiago.

Fábio Santiago em campo consorciado no Assentamento Laranjeiras-Parnamirim, Sertão do Araripe/PE

Sendo assim, se torna crucial a chegada dos alimentos com qualidade para as Unidades de Beneficiamento de Alimentos (UBAs), conforme explica o Prof. Maycon Reis do curso de Agroindústria, Universidade Federal de Sergipe – Campus Sertão/Nossa Senhora da Glória-SE. “Acredito que os vídeos de pós-colheita irão promover um aprendizado e fixação do  conhecimento na prática, de forma muito mais efetiva, para agricultora e agricultor com vídeos curtos, bem editados e imagens bem coletadas. Então a elaboração de metodologias como essa fará com que a informação chegue na base de forma fidedigna, além de facilitar a vida da assessoria técnica e das/os agricultoras/es multiplicadoras/es. Logo, tudo isso vai refletir, certamente, na qualidade da matéria prima que chegará na UBA”, afirma.

Prof. Maycon Reis, à esquerda, e agricultor Cleonaldo, à direita, realizam o processo de debulhação do milho em máquina na Unidade de Aprendizagem e Pesquisa (UAP), Comunidade de Lagoa da Volta, Porto da Folha – SE

Segundo a coordenadora territorial de Diaconia no Oeste Potiguar (RN) Risoneide Lima, a elaboração desses protocolos contribui também para o protagonismo e autonomia das famílias agricultoras, além de descentralizar o conhecimento técnico. “Dentro dos objetivos do Projeto Algodão está o fortalecimento e organização das cadeias produtivas por meio dos consórcios em práticas agroecológicas. Para isso, têm-se desenvolvido metodologias com sistematização de informações com produções e experimentos coletivos. Dentre esses estão os protocolos de boas práticas de pós-colheita dos alimentos, os quais estão disponibilizados para garantir o acesso aos agricultores e agricultoras”, afirma.

Risoneide Lima, coordenadora territorial de Diaconia no Oeste Potiguar (RN), em campo consorciado do algodão do Núcleo do Potengi-RN

Já para a agricultora Maria Aparecida da Silva, conhecida como Cida, que é vinculada à Associação de Certificação Orgânica Participativa do Alto Sertão de Sergipe (ACOPASE), ter as orientações sobre o processo de limpeza e secagem dos grãos servirá para impedir o surgimento de insetos que comprometam a qualidade dos alimentos. “Nós que trabalhamos com agroecologia, sem o uso de inseticidas e pesticidas, teremos vários insetos que vêm [para o alimento]. Então achei importante assistirmos os vídeos, passarmos pela capacitação e sabermos como fazer para não armazenarmos nenhum inseto junto com as sementes porque fizemos o processo correto de todas as culturas que trabalhamos nos roçados”, diz.

Agricultora Cida realiza o processo de peneiração do feijão na Unidade de Aprendizagem e Pesquisa (UAP), Comunidade de Lagoa da Volta, Porto da Folha – SE

Já de acordo com a presidente da Associação Agroecológica de Certificação Participativa do Cariri Paraibano – ACEPAC, Amanda Procópio, o conjunto de vídeos oportuniza a autonomia das famílias agricultoras na gestão do conhecimento sobre os procedimentos necessários. “Esses protocolos de pós-colheita são novos para os agricultores e agricultoras. Mesmo com as formações, às vezes passam alguns detalhes desapercebidos. Tendo esses vídeos, com acesso à Internet, alguma dúvida que eles e elas têm podem ser tiradas sem precisar ligar para ninguém. Isso dá mais autonomia porque não precisarão pedir informações a alguém. Como é uma coisa nova, eles e elas não vão ter tanta prática de fazer e no começo podem ter algumas dificuldades na questão da secagem e limpeza, então os vídeos servem para estarem relembrando até criar a prática”, acredita.

Amanda Procópio, presidente da ACEPAC, em visita à Unidade de Aprendizagem e Pesquisa (UAP) em Taperoá-PB

Confira os protocolos de regras e boas práticas do algodão e de pós-colheita dos alimentos dos consórcios agroecológicos na perspectiva da certificação orgânica participativa

•             Algodão – https://youtu.be/QA3dQEFOEIU

•             Milho – https://youtu.be/Ps1U5VxBXnE

•             Feijão – https://youtu.be/wOh1q_6-FIU

•             Girassol – https://youtu.be/0wAci2zmhEo

•             Amendoim – https://youtu.be/LtZW51lFAjQ

•             Gergelim – https://youtu.be/JwvEtCN7dOw

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória/SE). O Projeto conta com o apoio financeiro da Laudes Foundation, da Inter-American Foundation (IAF) e do FIDA/AKSAAM/UFV/IPPDS/FUNARBE. O Projeto ainda é parceiro do SENAI Têxtil e Confecção da Paraíba, e com o Projeto + Algodão – FAO/MRE-ABC/Governo do Paraguai/IBA. Para a execução do Projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONGs locais com experiência em Agroecologia que são responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânico (OPACs) e a produção agroecológica. No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã, tendo ainda a parceria com o CEOP – Território do Curimataú/Seridó da Paraíba. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONGS CAATINGA e CHAPADA assumiram conjuntamente as ações do Projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), respectivamente. No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do Projeto e parceria com CPT – RN.