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Associação Agroecológica do Pajeú, em Pernambuco, retoma processo de credenciamento junto ao Ministério da Agricultura

Por Tadzio Estevam


Sertão do Pajeú será o quinto território do projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos a conferir o Selo de Produto Orgânico Brasileiro aos produtos consorciados

A ASAP obteve unanimidade da Comissão de Produtos Orgânicos de Pernambuco para retomar as atividades de certificação orgânica participativa no Sertão do Pajeú (PE). Foto: Cortesia

O Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos contabiliza mais uma grande conquista. Desta vez para o território do Sertão do Pajéu, em Pernambuco. É que lá, a Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP) – Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC), responsável pelo controle da qualidade orgânica nas unidades produtivas familiares -, está em vias de retomar as atividades de certificação orgânica dos produtos consorciados e conferir a eles o Selo de Produto Orgânico Brasil – Sistema Participativo. Na última terça-feira (14), o presidente da entidade que tem aproximadamente 120 sócias e sócios, Claudevan Santos, apresentou todos os requisitos necessários para a retomada do processo de credenciamento da ASAP durante assembleia virtual da Comissão de Produtos Orgânicos de Pernambuco (CPORG-PE), entidade que representa o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no Estado. A apresentação contou com a assessoria da Diaconia, organização executora do projeto e que presta assessoria técnica às famílias agricultoras no território.

Claudevan apresentou na assembleia a conclusão de todas as etapas necessárias que foram desenvolvidas no território para a solicitação do credenciamento. Visitas de campo, das comissões de ética e avaliação, a atualização do plano de manejo das culturas consorciadas, assembleias realizadas com as famílias e o bom funcionamento do Sistema Participativo de Garantia (SPG), renderam a ASAP a aprovação unânime dos integrantes da CPORG. “Estamos muito felizes com o resultado do trabalho que recomeçamos a desenvolver em 2019 através do projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos. Estávamos suspensos desde 2014. Agora estamos retomando nossas atividades no caminho do credenciamento para podermos certificar nossos produtos aqui no território”, comemorou Claudevan.

Para o coordenador geral do projeto pela Diaconia, Fábio Santiago, a retomada do credenciamento da ASAP foi um processo que se iniciou com o funcionamento do SPG em 2019. “Isso foi estratégico para girar o controle da conformidade orgânica em 37 famílias agricultoras.  É um momento de celebrar essa grande conquista da ASAP, pois há uma busca de dinamizar a participação social nos órgãos diretivos. Assim, procurar-se avançar no protagonismo das famílias agricultoras na perspectiva de maturidade da associação. A certificação orgânica participativa gera agregação de valor aos produtos dos roçados, com possibilidade de acesso a mercados diferenciados. É um momento de felicidade, viver essa conquista das famílias agricultoras com apoio dos parceiros do projeto”, concluiu.

O próximo passo agora será receber a visita do MAPA para a aprovação do credenciamento. A expectativa do território é que esse momento aconteça ainda este ano e que a próxima safra dos produtos consorciados já seja certificada com o Selo, o que irá agregar mais valor financeiro aos produtos. Com o Sertão do Pajeú, o projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos amplia a certificação participativa para cinco territórios (Serra da Capivara, no Piauí; Sertão do Araripe, Pernambuco; Sertão do Apodi, Rio Grande do Norte; e o Sertão do Cariri, na Paraíba). O Alto Sertão Alagoano e Sergipano, já formaram as associações de certificação orgânica participativas e estão em processos de credenciamento junto ao MAPA. Futuramente completarão o time das entidades certificadoras.

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória). O projeto conta com o apoio técnico e financeiro Laudes Foundation.

Para a execução do projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONGS locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os OPACS e a produção agroecológica.

No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONGS CAATINGA e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente.

No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do projeto.