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Festa da Colheita na Serra da Capivara (PI) comemora boa safra e mais investimentos no território

Por Tadzio Estevam


Aportes financeiros irão melhorar as condições agrícolas das mais de 230 famílias cadastradas

Festa da Colheita aconteceu no Assentamento Novo Zabelê. Fotos: Arquivo Projeto Algodão

O território da Serra da Capivara, no Sertão do Piauí, comemora a primeira safra das culturas consorciadas do projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos e a notícia de mais aportes financeiros que irão melhorar as condições agrícolas das mais de 230 famílias cadastradas. O anúncio foi feito durante a celebração da Festa da Colheita do território, ocorrida na última terça-feira (17), no Assentamento Novo Zabelê, município de São Raimundo Nonato.

Os números da colheita durante o primeiro ano de projeto surpreendem. O algodão em rama, que inclui o caroço e a pluma, somou quase 20 toneladas. O milho total do território atingiu 12 toneladas. O feijão ficou em terceiro lugar com 3,7 mil quilos e por último o gergelim com 400 quilos. As colheitas partiram dos municípios de São Raimundo Nonato, São Lourenço, Dom Inocêncio, São Bráz, Coronel José Dias e São João do Piauí.

O presidente da APASPI, Manoel Aragão, foi a Teresina receber a premiação de mais um edital conquistado pela associação

A produção geral demonstra que o Semiárido Piauiense é um território fortalecido, graças ao trabalho que é desenvolvido pela Associação dos Produtores e Produtoras Agroecológicos do Semiárido Piauiense (APASPI), associação parceira do projeto, formada e gerida pelas famílias agricultoras locais que está solidificando sua atuação na agricultura familiar de bases agroecológicas. Por essa razão, a associação, também conhecida como Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC), tem conseguido transformar a realidade do território na produção de alimentos orgânicos certificados. Exemplo disso foi a conquista de mais um edital, desta vez do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O edital de chamamento “Experiências inovadoras para a promoção do desenvolvimento local – fomento de plataformas e redes locais de desenvolvimento no Brasil”, conferiu à APASPI o valor de 100 mil reais. “Ficamos muito felizes com essa conquista e pelos ganhos que o projeto do algodão tem nos trazido. Nossa colheita foi um sucesso e ver o quanto essas famílias estão felizes de estarem conosco, fortalecendo a cada dia a nossa associação é muito bom. Além delas, outras famílias irão se incorporar ao projeto neste novo ciclo”, comemorou o presidente da APASPI, Manoel Aragão, “Seu Nezinho”.

Além do PNUD, a associação também está comemorando mais uma conquista para o projeto do algodão com outro aporte financeiro. Desta vez do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência das Organizações das Nações Unidas (ONU) que no Piauí é representada pelo Projeto Viva o Semiárido. Genival Oliveira, representante do FIDA no estado, explicou a nova parceria. “Viemos a esse grande evento anunciar nosso apoio para o fortalecimento deste grandioso projeto. Em parceria coma a APASPI, o FIDA irá injetar recursos financeiros superiores a R$ 100 mil para apoiar na ampliação da experiência. Recentemente, convidamos a Cáritas para iniciarmos uma conversa e desenhar a nossa entrada no projeto. Temos consciência que este projeto do algodão traz uma proposta muito interessante para a agricultura familiar de base agroecológica de todo o estado do Piauí”.

Hidelbrando Pires é coordenador da Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato

Além da APASPI, o projeto do algodão no Piauí tem a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato como ong parceira local. Hidelbrando Pires, coordenador da Cáritas, destacou a importância do fortalecimento dos grupos locais para que todas as ajudas sejam efetivas. “Este projeto nos traz muitas ajudas. Se nós não atentarmos para o eixo central do projeto que é o fortalecimento do próprio grupo, essas ajudas podem encontrar um território vazio. O território recebe contribuições, mas também recebe ameaças. Por isso, os grupos têm que estar cada vez mais fortes”. Hidelbrando destacou outro elemento da experiência piauiense no projeto. “Quero destacar os registros técnicos e científicos que o projeto trouxe para nós. Estávamos discutindo sobre a importância que esses registros terão de imediato aqui no território, tendo em vista a especulação mineradora que poderá trazer impactos negativos. E esses registros são importantes para que as empresas e o poder público percebam o número de riquezas e potenciais que estão em jogo. Finalizo trazendo outro destaque que é a abertura das instituições de ensino à Agricultura Familiar. Esse prêmio que a APASPI acabou de receber contou com apoio pedagógico do Instituto Federal do Piauí e isso foi maravilhoso”.

De acordo com Fábio Santiago, o papel da Diaconia e dos parceiros deste projeto é fortalecer ainda mais essas organizações

Fábio Santiago, coordenador do projeto pela Diaconia, acrescentou que “o desenvolvimento do território, seja ele qual for, nasce com os grupos locais. Aqui temos grupos fortalecidos, uma associação fortalecida, o que nos deixa muito felizes. Prova disso é o resultado da colheita no território. Estamos entregando, somente aqui, mais de sete toneladas de pluma de algodão. Também temos boas quantidades do milho, feijão, gergelim e isso se deu graças à organização dos grupos e da associação. O papel da Diaconia e dos parceiros deste projeto é fortalecer ainda mais essas organizações, formando pessoas, incentivando as pesquisas, ampliando nossas relações com outras redes nacionais e internacionais e investindo recursos. Quero agradecer às parcerias locais, principalmente, ao FIDA que retomará a relação conosco e nos ajudará a transformar ainda mais a realidade deste território”. Fábio ainda anunciou outra novidade. “Recentemente, o Fundo de Incentivo Produtivo e Ambiental do projeto (FIPA), que é um recurso oriundo do projeto, liberou para a APASPI, R$ 123 mil para a construção de uma unidade de beneficiamento e armazenamento do algodão e dos outros produtos do consórcio e mais um capital de giro para as operações financeiras emergentes do território, o que nos deixou muito felizes com todo o resultado obtido aqui”.

A Festa da Colheita da Serra da Capivara terminou com um jantar servido ao público e um forró na quadra do assentamento Novo Zabelê.

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória). O projeto conta com o apoio técnico e financeiro do Instituto C&A.

Para a execução do projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONG’s locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os OPAC’s e a produção agroecológica.

No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONG’s Caatinga e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente.

No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do projeto.