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Festa da Colheita no Sertão do Pajeú (PE) evidencia sucesso na produção consorciada agroecológica

Por Tadzio Estevam


Em um ano de atividades do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos, foram produzidas no território 3,7 toneladas de algodão, considerando pluma e caroço

Agricultores e agricultoras participantes do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos no território do Sertão do Pajeú (PE). Fotos: Acervo Diaconia

As famílias agricultoras que integram o projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos no Sertão do Pajeú, em Pernambuco, estão comemorando a boa safra das culturas iniciada há um ano, quando o projeto aportou no território. Durante esse período, 35 famílias produziram, em 19 hectares de terra, 3,7 toneladas de algodão considerando pluma e caroço. Dentro da mesma área produtiva, foram produzidas ainda sete toneladas de milho, 3,7 toneladas de feijão e 30 quilos de gergelim. Os números foram apresentados durante a I Festa da Colheita — Celebrando a Agrobiodiversidade que aconteceu na última terça-feira (29), no município de Serra Talhada.

Nadja Maria foi o destaque feminino na produção agroecológica no Pajeú

A Festa da Colheita também contou com a entrega dos certificados emitidos pela Comissão de Avaliação do projeto para os agricultores e agricultoras que agora estão alinhados e alinhadas com as normas e exigências do Ministério da Agricultura para poder venderem tudo o que foi produzido nas suas propriedades agroecológicas. “Eu estou muito feliz com tudo isso que está acontecendo. No começo, eu, minha irmã e uma prima não acreditamos que esse projeto fosse mudar nossas vidas. Aceitamos o desafio em consideração ao nosso companheiro do sindicato Claudevan, e passamos a plantar o algodão na mesma área onde já plantávamos milho e feijão. E um ano depois ficamos surpresas com o que vimos. Uma terra abençoada que nos rendeu mais de cem quilos de pluma em quase um hectare de terra. Temos certeza que no próximo ano vamos produzir muito mais em pouco mais de terra”, comemorou a jovem agricultora Nadja Maria da Silva, da comunidade da Escadinha, distrito de Serra Talhada. Nadja ainda foi contemplada com uma placa de homenagem por ter sido destaque na produção em consórcios agroecológicos no território.

Claudevan José é o presidente da Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP)

“Nós só temos a comemorar pelo sucesso da produção durante o primeiro ano de atividades do projeto aqui no nosso território. Os resultados superaram as nossas expectativas. Nós, assim como todas as famílias dos demais territórios, apostamos na retomada do plantio do algodão no semiárido Nordestino e hoje estamos colhendo belos frutos desse trabalho” disse o agricultor e presidente da Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP), Claudevan José. A associação é um dos cinco Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC’s) que atuam no fortalecimento da Agricultura Familiar e certificação orgânica das culturas produzidas pelas famílias. Um dos objetivos principais do projeto é o fortalecimento desses organismos.

Futuro — Atualmente, o projeto no território do Pajéu abrange três municípios: Afogados da Ingazeira, Serra Talhada e Sertânia com 48 famílias cadastradas em 11 comunidades. Com a virada do projeto para o segundo ano de atividades, esse número irá aumentar para mais dois novos municípios — Mirandiba e São José do Egito -, cinco comunidades e mais 62 famílias. “Acredito que iremos chegar, facilmente, a 120 famílias”, estima Claudevan.

Festa da Colheita aconteceu nas dependências da Fetape, em Serra Talhada

Para o assessor técnico do projeto, Ricardo Blackburn, ainda se tem muito a comemorar. “Quero parabenizar todos e todas aqui pelo sucesso deste primeiro ano do projeto e dizer que nós estamos sendo vistos em todo o mundo. O nosso modelo está sendo considerado uma vitrine para vários países. E tudo isso se dá através da construção coletiva entre nós e com o apoio dos nossos parceiros”.

A celebração da colheita no Pajeú contou com as presenças de representantes das organizações parceiras do projeto, a exemplo da Embrapa, Secretaria de Agricultura de Serra Talhada, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e ONG’s.

A próxima festa da colheita acontecerá no território do Sertão do Apodi (RN) na próxima quinta-feira (31).

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos — O projeto é uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão — Nossa Senhora da Glória). O projeto conta com o apoio técnico e financeiro do Instituto C&A. A iniciativa teve início em agosto de 2018 e tem duração de dois anos. Para a execução nos territórios, foram estabelecidas parcerias com ONG’s locais com experiência em Agroecologia para fortalecer os Organismos Participativos de Avaliação de Conformidade (OPAC’s). No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONG’s Caatinga e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente. No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do projeto.