O Projeto

Gerar renda para mais de duas mil famílias agricultoras que estão plantando algodão em consórcio com outras culturas em sete territórios de seis estados no Semiárido Nordestino. Essa é a proposta do “Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos”, uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória). O projeto, que terá a duração de dois anos a contar de agosto de 2018, conta com o apoio técnico e financeiro do Instituto C&A

Algodão em Consórcios Agroecológicos já comemora a estimativa de produção de mais de 70 toneladas de pluma orgânica e em transição somente neste primeiro ano de atividades, juntamente com 127 toneladas de feijão, 242 de milho e 23 de gergelim.

O projeto está distribuído em alguns eixos estruturais:

Fortalecimento dos OPAC’s

Os Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC’s) são associações habilitadas em conferir o Selo Orgânico Brasileiro aos produtos produzidos pelos consórcios. Isso irá aproximar as famílias agricultoras ao comércio justo e ao mercado orgânico, além de garantir a segurança alimentar e nutricional delas. Existem cinco OPAC’s formalizados:

Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (APASPI/PI); Associação Agroecológica do Pajeú (ASAP/PE); Associação de Certificação Orgânica Participativa do Sertão do Apodi (ACOPASA/RN); Associação de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Araripe (ECOARARIPE/PE) e Associação Agroecológica de Certificação Participativa do Cariri Paraibano (ACEPAC/PB). Em Sergipe e Alagoas, as ONG’s estão trabalhando para a criação dos OPAC’s. Por enquanto, esses territórios estabelecerão relações com o OPAC da Serra da Capivara (PI).

Além desses organismos, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONG’s locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo
assessoramento técnico para fortalecer os OPAC’s e a produção agroecológica. No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo
Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONG’s Caatinga e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente.

Protagonismo Feminino

Uma das linhas de atuação da Diaconia é promover a Justiça de Gênero. Dentro do conceito da equidade, o projeto tem a preocupação de desenvolver uma abordagem de Gênero onde mulheres e homens possam se envolver em qualquer tipo de atividade, principalmente no campo, como forma de atingir justiça social e diminuir as desigualdades. As mulheres camponesas têm menos acesso que os homens aos recursos produtivos, serviços e oportunidades como terra, acesso a créditos, assistência técnica e educação. Para enfrentar este cenário, as famílias cadastradas participarão de formação, em conjunto com os temas técnicos que acontecerão nas UAP’s, onde se refletirá sobre equidade de gênero, contemplando o movimento de mulheres camponesas, a luta pela terra e reforma agrária; violências contra as mulheres e empoderamento como alguns temas dessas formações.

Construção e disseminação de Conhecimento

Em todos os territórios de atuação do projeto, a Embrapa Algodão (entidade parceira) está realizando pesquisas, condução das formações técnicas para os agricultores e agricultoras. A entidade implantou uma Unidade de Aprendizagem e Pesquisas (UAP’s) em cada território para capacitar o público envolvido no cultivo do algodão. Elas servem de referência, um local de encontro para as formações. Tudo com o objetivo de aumentar a produtividade e desenvolver as tecnologias para poupar a mão de obra no plantio, manejo e colheita.

À Universidade Federal de Sergipe (UFS), caberá estudar meios para agregar valor às culturas no tocante ao processamento dos produtos do consórcio (feijão, milho e gergelim). A universidade também está envolvida na formação do OPAC no estado de Sergipe.

Fundo

Para inserir a produção ao comércio justo e ao mercado de orgânicos, as famílias precisam ter uma infraestrutura adequada que garanta a qualidade dos produtos, além da certificação conferida pelos OPAC’s da Serra da Capivara, Sertão do Araripe e Alto Sertão Sergipano. Pensando nisso, o projeto criou o Fundo de Incentivo Produtivo e Ambiental (FIPA), uma ferramenta que irá permitir enfrentar as principais barreiras entre os OPAC’s e o concorrido mercado, a exemplo da infraestrutura para beneficiamento, logística, armazenamento e capital de giro. A ferramenta servirá de ponte para viabilizar a entrada qualificada dos produtos no mercado e superar as principais dificuldades evitando que a produção termine no mercado informal. O FIPA futuramente será suprido com recursos gerados a partir do Fundo de Incentivo à Autonomia Financeira (FIAF) que será alimentado pela doação de uma pequena fração da comercialização dos produtos com valor agregado pela certificação orgânica.

Produção e Comercialização

A produção do algodão agroecológico, durante esses dois anos de atuação já está com a venda garantida. As empresas Vert Shoes, da França, e a Organic Cotton Colours, da Espanha, ambas apoiando e incentivando a cultura do algodão orgânico e o mercado da moda sustentável no mundo, assinaram com os OPAC’s e cooperativas acordos que garantirão a compra do que for produzido no campo. A expectativa das famílias é produzir mais de 70 toneladas de pluma orgânica e em transição no primeiro ano de plantio.

Em números, o valor do quilo da pluma orgânica certificada sairá a R$ 12,57, enquanto a pluma em processo de certificação será comprada por R$ 11,43, ambas com os valores dos impostos (ICMS) já inclusos. Os OPAC’s ainda receberão um prêmio social no valor de R$ 1,00 por cada quilo vendido pelas famílias. O recurso será destinado para aquisição de insumos e equipamentos a serem usados coletivamente no âmbito de fortalecimento dos OPAC’s.