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Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos firma parceria com o SENAI Têxtil e Confecções (PB) para beneficiar a pluma da Agricultura Familiar do Semiárido do Brasil

Por Tadzio Estevam


Aproximadamente 20 toneladas de pluma serão transformadas em fio orgânico no filatório da unidade têxtil

Parque Têxtil do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecções da Paraíba. Fotos: Acervo Diaconia

A pluma orgânica produzida pelos territórios do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos será transformada em fio, agregando mais valor financeiro à fibra e ampliando o acesso ao comércio justo e ao mercado orgânico mundial. O processo será possível graças ao Termo de Cooperação Técnica assinado entre a Diaconia e o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecções, da Paraíba – novo parceiro do projeto -, que irá realizar no filatório da unidade a análise das fibras e a fiação de um lote inicial de 20 toneladas de pluma.

A chegada do Instituto SENAI para esta nova fase do projeto reforça a “perspectiva da ação coletiva que é uma das estratégias de trabalho da Diaconia. Estamos muito felizes com o crescimento do projeto algodão, agregando parcerias muito importantes que fortalecem o trabalho desenvolvido em rede, envolvendo os Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade (OPACs) e, principalmente, as famílias agricultoras”, justificou a Coordenadora Geral da Diaconia, Waneska Bonfim. Para o coordenador do projeto, Fábio Santiago, “essa parceria é muito importante para o fortalecimento dos OPACs, porque a cadeia de valor está avançando e possibilitando a inserção em novos mercados. Esta cadeia teve início na última safra (2019) quando, ainda no primeiro ano do projeto, se iniciou o processo de descaroçamento do algodão colhido no campo para a separação da pluma. E agora com o SENAI Têxtil e Confecções será possível gerar mais ganhos para as famílias agricultoras, tendo em vista que o valor do quilo do fio será, praticamente, mais que o dobro do quilo da pluma. Estamos apoiando os OPACs no levantamento logístico e orçamentário para se chegar ao preço final do fio. Assim, os OPACs poderão dialogar com as empresas compradoras e parceiras do Projeto. Toda essa cadeia de valor servirá, inclusive, de referência para outros projetos de algodão agroecológico no Brasil e em outros países, a exemplo da nossa parceria com o programa “+Algodão”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), no Paraguai. É uma satisfação muito grande estar vivenciando este momento do projeto, com a aliança com o Senai para fortalecer este modelo de sustentabilidade de desenvolvimento dos OPACs”, disse.

Complexo têxtil dispõe de estrutura completa e moderna para a análise de fibras e fiação da pluma.

De acordo com o Diretor Regional do SENAI PB, Euler Sales, a celebração do acordo de cooperação técnica significa a reafirmação do compromisso da organização com a transformação da sociedade. “Através do nosso Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecção, inaugurado em setembro de 2018, buscaremos em parceria com a Diaconia fortalecer os OPACs do projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos. Em nosso complexo dispomos de uma estrutura completa e moderna contemplando equipamentos desde à sala de abertura de fardos de algodão, até a passagem por filatórios, teares circulares, retilíneos e planos. Também oferecemos toda estrutura e corpo técnico para desenvolvimento de coleção, estamparia digital, modelagem, gravação e corte a laser, bem como equipamentos de beneficiamento de tecidos. O SENAI PB também trabalhará no campo da Educação, disponibilizando oportunidades de capacitações técnicas e no campo científico, disponibilizando nosso Núcleo de Inovação e Tecnologia. O núcleo visa o atendimento de demandas em projetos de desenvolvimento e inovação, gerando assim, melhorias do processo produtivo, fortalecimento dos OPACs, contribuindo para a sustentabilidade do segmento e atuando, também, como agente transformador da sociedade”.

A transformação da pluma em fio pelo SENAI nesta nova fase do projeto trará diversos benefícios para as famílias agricultoras consolidando a atuação dos OPACs nos territórios, agregando mais valor ao algodão e abrindo mais portas para a comercialização do produto. Consequentemente, a Agricultura Familiar no Semiárido Nordestino também estará mais fortalecida. “Esta parceria do SENAI com o projeto chegou num momento muito propício para as famílias que estão tendo uma boa colheita de algodão nesta safra. Saber que teremos nossa pluma sendo transformada em fio e que o valor do quilo desse fio será mais que o dobro do valor da pluma é uma maravilha para aumentar nossa renda. Além disso, somos parte de um processo que vem crescendo cada dia mais e nos deixando muito orgulhosos de fazer parte dessa retomada histórica do plantio do algodão no Nordeste”, comemorou Genildo Oliveira, agricultor do projeto no Rio Grande do Norte e, também, presidente da Associação de Certificação Orgânica Participativa do Sertão do Apodi (ACOPASA), OPAC credenciado a partir do funcionamento do Sistema Participativo de Garantia (SPG).

Em fevereiro deste ano, um grupo formado por representantes da Diaconia e das empresas compradoras da pluma VERT e Organic Cotton Colours fizeram uma visita à unidade.

Segundo o Oficial de Programas do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Hardi Vieira, a parceria da Diaconia com o SENAI será estratégica configurando em mais um degrau a ser subido no processamento do algodão, agregando valor da pluma para o fio. “O FIDA tem sido um aliado da iniciativa do algodão agroecológico desde à sua implementação piloto no Projeto Dom Helder Câmara fase I, e agora mais recentemente por meio da parceria com o Projeto AKSAAM/FIDA/UFV/FUNARBE/IPPDS. Apostamos na inovação e trabalho da Diaconia no algodão agroecológico por meio de uma rede de parceiros. Quem ganhará com isso serão as famílias agricultoras do Semiárido com mais oportunidade de melhores mercados. Isso prova que a produção aliada à sustentabilidade pode não somente gerar renda, mas também uma nova visão de desenvolvimento”.

Visitantes entendendo como será o processo de fiação da pluma orgânica quando o lote chegar na unidade têxtil

Adriana Gregolin, Coordenadora Regional do Projeto +Algodão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO/ABC-MRE, considera a parceria como um passo estratégico para o futuro sustentável da Agricultura Familiar. “Esta cooperação técnica entre Diaconia e SENAI – que é uma reconhecida instituição brasileira na área de educação profissional em inovação e tecnologia, contribuirá para o fortalecimento da Agricultura Familiar Algodoeira de pequena escala no Brasil. Para nós do Projeto +Algodão – que é uma iniciativa na América Latina, implementada pela FAO e Agência Brasileira de Cooperação (ABC) -, este projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos é um exemplo de como é possível com ciência, inovação e cooperação transformar as matérias primas em produtos diferenciados e com valor agregado. Gostaria de parabenizar o SENAI e a Diaconia por esta parceria. É uma satisfação ser parte deste trabalho e contar com o apoio da Diaconia no projeto +Algodão, especificamente no Paraguai”.

SENAI – O Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecções da Paraíba tem capacidade de atender a cadeia produtiva do segmento têxtil desde a produção do fio até a confecção do produto final. A unidade conta com máquinas de fiação completa, tecelagem, malharia, beneficiamento, estamparia digital e confecção. O quadro de profissionais inclui designers, técnicos têxteis, modelistas e costureiras que fazem parte de um processo produtivo completo. O SENAI está localizado no complexo industrial da Paraíba, às margens da BR 101, em João Pessoa.

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria com Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Fundação Arthur Bernardes (FUNARBE), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS), Projeto AKSAAM (Adaptando Conhecimento para a Agricultura Sustentável e o Acesso a Mercados), Embrapa Algodão, Universidade Federal de Sergipe (UFS), Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e Confecções, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Agricultura Y Ganaderia, Gobierno Nacional, Paraguai de la gente e o Programa Mundial de Alimentos, através Centro de Excelência Contra a Fome (WFP). O projeto conta com o apoio técnico e financeiro da Laudes Foundation.

Para a execução do projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONG’s locais com experiência em Agroecologia que são responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os OPAC’s e a produção agroecológica.

No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONG’s CAATINGA e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente.

No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do projeto.