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Tecnologias poupadoras de mão de obra chegam ao PI e PE para ajudar no plantio e manejo do algodão em consórcios agroecológicos

Por Tadzio Estevam


Recursos partiram do Fundo de Incentivo Produtivo Ambiental (FIPA)

Fundo é responsável pelo aporte financeiro de R$ 300 mil, divididos para os dois territórios

Tecnologias poupadoras serão testadas nas Unidades de Aprendizagem Participativa dos dois territórios. Na imagem, um motocultivador com enxada rotativa. Fotos: Gean Bastos (PI)

Os processos de preparação do solo e manejo das culturas no âmbito do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos dos territórios da Serra da Capivara (PI) e Sertão do Araripe (PE) irão passar por melhoramento. As famílias agricultoras irã receber, nos próximos dias, tecnologias poupadoras de mão de obra como roçadeiras, plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores para biofertilizantes, enxadas para roçadeiras e monocultivador. Os recursos partiram do Fundo de Incentivo Produtivo Ambiental (FIPA). O FIPA é o responsável pelo aporte financeiro da ordem de aproximadamente R$ 300 mil, divididos para os dois territórios. O objetivo do fundo é viabilizar a entrada qualificada dos produtos no mercado e superar as principais dificuldades, evitando que a produção termine no mercado informal. Os recursos serão aplicados no processo de beneficiamento, logística de armazenamento e capital de giro no desenvolvimento do algodão em consórcio agroecológico.

Colheitadeira

No território da Serra da Capivara (PI), as tecnologias já se encontram nas dependências da ONG Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato. A organização é a parceira local do projeto. Ao todo, serão disponibilizadas para um grupo de 104 famílias agricultoras, 04 (quatro) roçadeiras, 04 (quatro) plantadeiras, 02 (duas) colheitadeiras, 04 (quatro) pulverizadores para biofertilizantes, 04 (quatro) enxadas para roçadeiras e 01 (um) monocultivador. Essas máquinas vão passar por uma avaliação de eficácias e eficiência, durante quatro módulos de experimentação nas Unidades de Aprendizagem Participativa, as UAPs, para poder montar todos os parâmetros necessários que atestem a principal função delas que é otimizar a mão de obra dos agricultores e agricultoras. “O trabalho manual é muito árduo e dificulta o agricultor a ter uma área maior e um custo menor de produção”, disse o assessor técnico do projeto no Piauí pela Cáritas, Gean Bastos. Para a jovem agricultora Valquíria dos Santos, “Com certeza vai ser um ganho muito grande para as famílias, porque vai poupar bastante a mão de obra dos agricultores e agricultoras a produção vai ter mais rendimentos”.

Outra tecnologia que irá facilitar o trabalho das famílias é o micro trator que também ajuda na preparação do solo

No território do Sertão do Araripe, em Pernambuco, as máquinas também chegaram para atender às famílias. “Elas irão incentivar o trabalho mais coletivo e mais rápido com a divisão de cada tecnologia. Colher algodão é bem demorado e demanda muito custo. Esses equipamentos representam um grande feito para diminuir a quantidade de trabalho, tornar o tempo mais produtivo dando espaço para eles e elas trabalharem em outros produtos do roçado”, comemorou o presidente da Associação de Agricultoras e Agricultores Agroecológicos do Araripe (ECOARARIPE), Lídio Parente.

Para o coordenador geral do projeto pela Diaconia, Fábio Santiago, o momento marca um novo capítulo na trajetória do projeto. “Estamos muito felizes por esta etapa tão importante e histórica para a Agricultura Familiar, testando tecnologias que possam melhorar os rendimentos dos cultivos consorciados do projeto. Investir nessas tecnologias significa evoluir no campo. É diminuir ou zerar a dependência do trator externo e adotar as tecnologias de roçadeira e o monocultivador no preparo do solo para o plantio. É semear a terra com plantadeiras, compondo um arranjo de plantas mais organizado, com mais espaçamento onde a presença do sol seja mais forte e com isso, evitar o ataque de pragas proporcionando um roçado mais sadio”, disse. De acordo com ele, a chegada das tecnologias nos próximos dias nas UAPs servirá como teste. “Daremos início a uma fase piloto para termos as estatísticas necessárias. Após esse período, será a vez de captar novos financiamentos para alargar o acesso aos demais territórios do projeto. Essas tecnologias são fundamentais para o cultivo do algodão e das demais culturas consorciadas, uma vez que demanda muita mão de obra e que precisa de um manejo diferente do manejo orgânico, com práticas de prevenção antes mesmo de práticas de combate às pragas”.

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória). O projeto conta com o apoio técnico e financeiro Laudes Foundation.

Para a execução do projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONGS locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os OPACS e a produção agroecológica.

No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONGS CAATINGA e Chapada assumiram conjuntamente as ações do projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro, respectivamente.

No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do projeto.