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Mais de 14 toneladas de algodão com certificação orgânica participativa serão transformadas em fio em parceria com o SENAI Têxtil e Confecções da Paraíba

Por Thamires Lima


O avanço da cadeia de valor com o fio faz parte da estratégia do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos a fim de gerar renda para os agricultores e agricultoras familiares no acesso aos mercados

Entrega da pluma do algodão no SENAI Têxtil e Confecção em João Pessoa – PB

O Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos celebra mais um momento histórico. Em parceria com o SENAI Têxtil e Confecções da Paraíba, 14 toneladas e 549 kg de algodão com certificação orgânica participativa, produzido por agricultores e agricultoras do Cariri paraibano, a partir da industrialização da pluma, serão transformadas em fio. Esse passo é bastante importante no avanço da comercialização da fibra do algodão.

O processo de beneficiamento vai acontecer no Parque Têxtil e de Confecção do SENAI, em João Pessoa (PB), que conta com equipamentos modernos como a sala de abertura de fardos de algodão, passagem por filatórios, teares circulares, retilíneos e planos.⁣⁣⁣⠀

Para a presidenta da Associação Agroecológica de Certificação Participativa do Cariri Paraibano (ACEPAC), Amanda Procópio, o momento proporciona a valorização da cultura do algodão e traz autonomia para os agricultores e agricultoras. “As famílias poderão alcançar mais desenvolvimento e reconhecimento do seu trabalho. Estamos sempre buscando o melhor para nossos agricultores e agricultoras e com a fiação, em parceria com o Senai, poderemos agregar valor para a comercialização do algodão aumentando a renda das famílias”.

O planejamento para a fiação da pluma produzida pelas famílias agricultoras da ACEPAC (Associação Agroecológica de Certificação Participativa do Cariri Paraibano), foi feito na sede da Diaconia, no Recife, em novembro, e contou com a participação do gerente da planta têxtil do SENAI Têxtil e Confecção da Paraíba, Abmar Medeiros, além do coordenador do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – Diaconia, Fábio Santiago, os assessores técnicos, Ricardo Blackburn e Hélio Nunes, a coordenadora político-pedagógica da Diaconia, Wanesca Bonfim, e a coordenadora territorial  da Diaconia no território do Sertão do Pajeú – PE, Ita Porto. Nesta terça-feira (14), aconteceu a entrega oficial da pluma da ACEPAC ao SENAI Têxtil e Confecção, em João Pessoa, após a rastreabilidade da produção no Cariri paraibano.

Reunião de Planejamento na sede da Diaconia em Recife – PE

“Contar com a parceria do Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC) com a VERT, enquanto empresa do comércio justo, no relacionamento com o SENAI Têxtil e Confecções é muito importante para que essa etapa da cadeia produtiva da fibra do algodão orgânico seja aberta, com agregação de valor e relação direta com o mercado. É uma ação inédita no semiárido brasileiro de uma organização de base da agricultura familiar com certificação orgânica participativa na comercialização de fio de algodão. Isso irá impulsionar a geração de riqueza e a economia circular. Além disso, fortalece uma aliança de parceria com Arribaçã no assessoramento técnico em prol da ACEPAC. Será também uma oportunidade para outros OPACS apoiados pelo Projeto”, afirma Fábio Santiago, coordenador do Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – Diaconia.  

Representantes da Diaconia, Arribaçã e ACEPAC após a entrega da pluma do algodão

Abmar Medeiros, gerente do Instituto Tecnológico SENAI em João Pessoa (PB), fala sobre a satisfação em firmar parceria com a Diaconia e poder valorizar os agricultores e agricultoras do Cariri paraibano. “Começamos nossa parceria com uma produção piloto de 250 kg e agora que vamos produzir em grande escala, estamos muito felizes em viver esse momento histórico, sempre pensando no que é melhor para o agricultor e agricultora”.

 Izabel Cristina, presidenta da Arribaçã, também comemora esse marco histórico. “Para nós que estamos assessorando a produção do algodão agroecológico na Paraíba desde 2006, é uma vitória poder ver o algodão sendo comercializado em fio porque acreditamos que quanto mais os agricultores e agricultoras têm autonomia, mais eles poderão produzir com qualidade. Temos muita gratidão por essas parcerias porque, através delas, podemos valorizar ainda mais a agricultura familiar”, conclui.

Para coordenadora político-pedagógico da Diaconia, Waneska Bonfim, é necessário reforçar a importância das famílias agricultoras que vivem no Semiárido enquanto um público que merece um destaque na compensação social dos incentivos ao desenvolvimento, olhando para essa oportunidade como uma ação que trará para as famílias agricultoras, através da organização social no âmbito do Sistema Participativo de Garantia (SPG), um patamar de inserção no mercado com condições de dar respostas à demanda da produção da fibra de algodão orgânico. .

Projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos – É uma iniciativa coordenada por Diaconia, em parceria estratégica com a Universidade Federal de Sergipe (UFS, Campus Sertão – Nossa Senhora da Glória/SE). O Projeto conta com o apoio financeiro da Laudes Foundation, da  Inter-American Foundation (IAF) e do FIDA/AKSAAM/UFV/IPPDS/FUNARBE. O Projeto ainda é parceiro com o Projeto + Algodão – FAO/MRE-ABC/Governo do Paraguai/IBA. Para a execução do Projeto nos territórios, a Diaconia estabeleceu parcerias com ONGs locais com experiência em Agroecologia que serão responsáveis pelo assessoramento técnico para fortalecer os Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânico (OPACs) e a produção agroecológica. No Sertão do Piauí, a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato desenvolve as atividades na Serra da Capivara. No Sertão do Cariri, na Paraíba, o trabalho está sendo realizado pela Arribaçã. No Sertão do Araripe, em Pernambuco, as ONGS CAATINGA e Chapada assumiram conjuntamente as ações do Projeto. As atividades no Alto Sertão de Alagoas e no Alto Sertão de Sergipe estão a cargo do Instituto Palmas e do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), respectivamente. No Sertão do Pajeú (PE) e no Oeste Potiguar (RN), territórios onde a Diaconia já mantém escritórios e atividades, ela mesma se encarrega da implementação das ações locais do Projeto.